sábado, 27 de março de 2010

Negócio feito









Casa á venda. Sociedade de investidores interessada.

O Samuel, homem de negócios. Herança familiar e africana. Pedro, gestor, não deita dinheiro á rua, avalia criteriosamente.

O Samuel lança a ideia de negócio. O Pedro pondera a sua viabilidade.

A propriedade em venda começou a ser observada faz tempo. Um negócio não se faz precipitadamente. Fui convidada a visitar a oportunidade de negócio.

Informações foram trocadas entre os sócios. O entusiasmo cresceu de divisão para divisão. E eu, no final da visita percebi que não sei mesmo avaliar propriedades. Não consegui acompanhar a avaliação que ia sendo feita. Ainda agora não percebo porque não vi, a razão de tamanho entusiasmo.

Assisti a uma análise cuidada de um dos sócios. Cada divisão, ou pormenor aumentava a probabilidade de investimento.

“ …… De carpintaria pequenos são os arranjos. O telhado não metia água. A lareira aparentava bom estado e grelhas á disposição. A casa de banho uma pintura será suficiente. No quintal é só arrancar os urtigões. O número de divisões é suficiente e a pintura apenas precisa de um retoque. A instalação eléctrica, apesar de antiga, parece estar em bom estado. Será preciso colocar algumas vidraças e uma limpeza geral.”

É o que se chama, negócio de ocasião. Ou não fossem eles os melhores negociantes que conheço. Cada dia têm um em vista. Ainda bem que concretizaram este.

Samuel e Pedro , desejo-vos muita sorte. A sério. Acho que bem precisam.


quarta-feira, 24 de março de 2010

Corte de Cabelo



Fui ao cabeleireiro. Para mim é mais uma obrigação do que um prazer. O tempo gasto é de me tirar a boa disposição. Daí que o faça só quando é mesmo necessário.

Vou pintar o cabelo e muito, mas muito raramente cortar.

Acho que é um defeito profissional, mas as cabeleireiras adoram cortar cabelos. Todas, todas mesmo. Se pedimos as pontas cortam 10 cm. Se queremos mudar de corte, muitas vezes é o corte que muda as nossas vidas.

Uma vez, tinha o cabelo pelas costas e quis fazer um corte novo. Pelo sim pelo não, mostrei no catálogo e fiz todas as advertências que considerei prudentes. Escusado será dizer que saí de lá, de cabelo pelos ombros e uma raiva contida.

Se quiserem confirmar o que digo, entrem num cabeleireiro e reparem quantas usam cabelo comprido (extensões não vale). Cortam o delas e odeiam quem o usa comprido.

No ano passado, tomei coragem e fui cortar o cabelo. Chamo cortar a escadear um pouco.

Entusiasmada pega nas tesouras e divide o cabelo ao meio. Começou pelo lado direito.

Eu, que tenho por hábito passar o tempo com uma revista na mão. Dispensei-a. Deveria estar atenta, tal a delicadeza do momento.

Em várias manobras de pente e tesoura, cortou. A execução foi de tal maneira rápida que alarmada entrei em choque. Tinha de tomar uma decisão. E tomei.

Mandei-a parar imediatamente e de forma brusca, diga-se.
Pare! Mas o que me fez ao cabelo?
Mas a senhora não vê? falta o outro lado.

Como se eu fosse admitir que me fizesse o mesmo ao resto do cabelo.

Durante algum tempo exibi um corte de cabelo algo estranho. Mas hoje temos essa sorte, usa-se tudo e cada um reserva-se o direito de ter gostos estravagantes e copiar cortes de cabelo que podem ser moda, sei lá….. no Butão.

Momentos felizes






Quando vamos a um concerto pelo prazer de acompanhar os nossos filhos. Corremos o risco de nos acontecer o mesmo que à minha amiga Augusta.

Disse-me que: Sabes, que fui a um concerto com a Sofia que davam á entrada tampões para os ouvidos? Pensei que fosse brincadeira. Mas uma das bandas, não produzia música, mas um ruído, semelhante a 100 motores de aviões, a trabalhar em simultâneo. Percebi então, que os tampões eram mesmo a sério. E para mim foram muito úteis.

Não foi o meu caso.

Numa noite de Verão, acompanhei os meus filhos a um concerto que me deu a mim e a eles muito prazer. Pela música, pelo espectáculo, mas principalmente por estar a vivê-lo na companhia deles





segunda-feira, 22 de março de 2010

Encartada



Quando a Manuela tirou a carta de condução, (ela é mais velha que eu) alargamos os nossos passeios.

Começaram nessas aventuras, que eram as saídas de carro, a sua carreira brilhante como condutora (em postagens anteriores já mostrou como se atasca um carro).

A casa da Manuela tinha um quintal com o tamanho de um campo de futebol. Foi durante a nossa infância o espaço preferido para as nossas brincadeiras. Ali aprendemos a andar de bicicleta, a cair e chorar sem dramas.

O baloiço era espectacular, num período em que não havia parques infantis com escorregas e baloiços……

No quintal havia 5 ou 6 carros antigos, que por capricho da menina (Manuela) o pai mandava arranjar e foi neles que nos iniciamos nas estradas. Os carros não tinham inspecções obrigatórias e ainda bem, senão a sua vida útil teria terminado muitos anos antes.

Cada viagem, acreditem, era uma aventura. Ela a conduzir e eu a dar as indicações e a prestar assistência.

Sim, prestar assistência. Os carros eram ideais para as nossas iniciações, mas todos tinham um senão. Ou só abriam as portas pelo lado de fora, ou não faziam marcha atrás, ou os travões não funcionavam, só o travão de mão, ou as portas abriam-se em andamento, ou….

Daí que a assistente (eu) era indispensável.

E eu levava a tarefa bem a sério. Não levávamos era a sério as chamadas de atenção dos pais para termos cuidado e fazer viagens curtas.

Porque quando saíamos com o carro que não metia a marcha atrás, sabíamos como os passeios começavam, mas não sabíamos como terminavam nem onde.

A compra da camisola


Agosto, Marina de Vila Moura. Depois de jantar no Cesteiro, vinha a parte mais aguardada do passeio, as compras.

A primeira loja com visita obrigatória era logo ao lado, a loja dos bikinis.

Entre entradas e saídas dos provadores, cansamos os maridos que nos abandonaram e foram para um bar na outra ponta da Marina. Daqui a duas horas lá estaríamos.

Percorremos todas as lojas até entrarmos na mais aguardada. Ali estavam as peças mais desejadas. Da colecção de Verão restava pouca coisa.

O entusiasmo aumentou com a colecção de Inverno. Camisolas, vestidos, sapatos…. Tudo lindo.
A Manuela ficou enamorada de uma camisola/túnica, estampada, espectacular, mas de manga comprida e um pouco quente.

A Manuela é como eu, é comprar e vestir.

Daí que, ainda apreensiva sobre a compra da camisola, afirmou. Mas vou ter calor com ela. Mesmo á noite.

Que interessa isso. A camisola é linda. Quem vai saber o calor que tens?

domingo, 21 de março de 2010

Peça de Brecht



É nossa obrigação, proporcionar aos nossos alunos experiencias culturais diversificadas.

Como tal, é comum visitarmos com frequência as salas de exposições em Lisboa, Peças de Teatro, exposições na FIL, na Gulbenkian, no CCB, entre outros.

Em tempos, fazia também parte do programa cultural, assistirmos às peças que eram apresentadas no Teatro Garcia de Resende em Évora (quando aqui se exibia bom teatro e com regularidade)

O programa da ida ao Teatro nesse verão era uma encenação de Eugen Berthold Friedrich Brecht . O autor dispensa apresentação e a encenação prometia, estava a cargo do grupo de actores fixo do Teatro D. Maria.

Eu e alguns professores, depois de consultarmos o programa, fizemos reservas e levamos 3 dezenas de alunos de secundário ao Teatro.

A actividade era facultativa. Inscreveram-se os alunos que já tinham adquirido algum gosto pelo teatro. Podemos dizer que em parte os levamos a gostar. Porque de música, pintura ou teatro aprende-se a gostar. E, eles já tinham aprendido.

Sentados, assistíamos ao desenrolar da peça, com expectativa. Expectativa essa que foi aumentando, principalmente para nós professores.

A encenação era dura. Demasiado dura. Na linguagem, na postura e comportamento dos actores.

Nós, cada vez mais apreensivos, começamos a ficar incomodados.

Uma coisa é irmos sozinhos, ou eles, outra é levarmos alunos a assistirem um espectáculo que pode ferir susceptibilidades. Não dos próprios alunos, mas dos pais, quando soubessem da peça a que os seus professores os tinham levado a assistir.

Ao longo do primeiro tempo do espectáculo, fomo-nos afundando nos bancos. Os alunos, alguns, olhavam-nos de soslaio, percebendo o nosso incómodo.

E, os diálogos e o comportamento dos actores na peça, não suavizavam, endureciam, não atendendo às nossas súplicas silenciosas.

Interrupção para o intervalo. A nossa vontade era ficar sentados. Não sabíamos qual seria a reacção dos alunos e já imaginávamos os comentários maliciosos que fariam.

Resolvemos arriscar. Juntamo-nos todos no hall do Teatro. Ninguém fez qualquer apreciação sobre a peça. Como se da lembrança de todos, o que tínhamos assistido no 1º acto se tivesse da memória varrido.

No 2º acto, nada parecia ter mudado. A peça não aliviava nem um pouco o nosso mal-estar. E, assim foi até final.

Já antecipávamos os comentários à saída e nos próximos dias.

Os jovens podem ser bem cruéis e perceberam que a peça a que queríamos ir não era aquela a que tínhamos assistido.

Tinham todos os trunfos na mão, para nos fazerem sentir mal enquanto educadores.

Pois nada do que temíamos aconteceu. A peça parece ter trazido amnésia a todos quantos assistiram. Menos a nós claro.

Mas curiosa e admiravelmente, nem nessa noite, nem nos dias ou meses seguintes, ninguém se referiu á dita peça, que molestou mais as nossas mentes retrógradas do que as cabeças arejadas dos nossos alunos.

Salão de beleza

Maria José - a poderosa a desfilar na afamada Praça de Espanha em Roma

Eu e a minha colega e amiga Maria José, viajamos muito em trabalho (a que juntamos muito lazer).

Todas as manhãs, depois de me despachar, o que significa sempre maquilhar-me (ás vezes a contra-relógio, pela falta de tempo), lá está ela sentada, em frente ao espelho, sem pressas, aguardando. A maquilhagem é que ela já não dispensa.

Ela que anda sempre de cara lavada, espera sentada que a maquilhe também.

Isto foi tornando-se hábito. Agora tem reserva feita no salão.

Claro que a técnica que uso para mim, aplico-a nela também. Mas pacientemente, põe a sua sorte na minha habilidade e adora sempre o resultado. Acredito.

Alguém que não coloca uma base ou um pouco de blush e baton, arriscando ainda uma sombra nos olhos, fica a sentir-se poderosa e sai sempre radiante do quarto de hotel.

No regresso das nossas viagens, recorda sempre com alguma saudade, a falta que vai sentir da maquilhadora, ali a horas com marcação só para ela (como se estivesse incluída na diária do hotel).

Percebi o quanto se sentia agradecida, neste último natal. Ofereceu-me um estojo de maquilhagem, com as cores e sombras que ficam bem, na sua pela clara.



Hoje faz anos. Aqui ficam os meus parabéns.
Nos últimos anos, muitos dos meus bons momentos senão os mais divertidos, foram passados com ela.
Desejo-lhe o melhor que a vida lhe puder proporcionar.