sexta-feira, 12 de março de 2010

O monólogo



Clube de Teatro na Escola.

Gostar de teatro, era à partida a única exigência para ficar responsável pelo Clube de Teatro.

Foi recrutado um grupo de jovens e contratado um actor capaz de preparar o grupo na encenação de uma peça pouco exigente, mas que resultou num trabalho árduo de meses, para decorar umas pequenas falas e meia dúzia de actos.

Foi marcada a estreia, dentro de grande expectativa.

Por insistência dos jovens e pretensos actores, fui convencida a participar na grande estreia. Foi escolhido um Monólogo de uma actriz decadente, em fase final de carreira.

Achei apropriado, desempenhar uma actriz no final da linha. Será tão mau quanto no início de carreira. Sim, porque a alma de artista está por vezes muito oculta. Como parecia ser no meu caso.

Pareceu-me mais fácil, dela não se esperaria um grande desempenho.

Sozinha em palco, recriava uma actriz no seu camarim, por entre memórias de melhores dias e dos últimos actos falhados.

Durante dias preparei as falas, gestos e passos em palco. Quanto mais as repetia mais insegura me sentia.

No dia da estreia, o meu desempenho foi magnífico. Encarnei completamente a actriz decadente.

Resultou mesmo um êxito….. de tão decadente.

quarta-feira, 10 de março de 2010

As cabeleireiras.





Nós as mulheres somos dependentes dos cabeleireiros, das manicuras e das depilações.

Daí que saber arranjar as unhas ou secar e cortar os próprios cabelos é tarefa de que me orgulho por não me obrigar a ser semanalmente dependente destes serviços.

Será normal que se questionem, como aprendi a fazê-lo.

A melhor aprendizagem faz-se na prática. Comigo assim aconteceu.

A minha amiga Manuela era a minha inspiração. Cortava habitualmente o cabelo à mãe. Tarefa que se apresentava como fácil, numa cabeleira grisalha e encaracolada, como a de sua mãe.

Querendo imitar um serviço que não aparentava qualquer dificuldade, decidi um dia cortar o cabelo á minha mãe. Contei com a minha amiga como ajudante, ela achava-se a minha mestra.

Preparamos as tesouras. Pouco mais. A cabeça, lavada e ainda molhada, esperava paciente e estranhamente confiante, o corte de cabelo.

Colocamo-nos, uma á direita e outra á esquerda e a aplicando a nossa melhor técnica, começamos. Passados 5 minutos resolvemos confirmar o trabalho já executado. Curiosamente, ou talvez não, os lados nunca pareciam estar simétricos. Sempre procurando essa simetria, cada uma cortava do seu lado.

O cabelo pouco a pouco, corte após corte, ia ficando mais curto, mas nunca o resultado nos chegou a satisfazer. Nem à minha mãe. Que, estranhando a demora e perdendo a anterior confiança, espreitou ao espelho.

Decidiu aí, recorrer aos serviços próximos de uma cabeleireira profissional, que num recurso de mestria lhe fez o corte mais curto de cabelo que jamais a vi voltar a usar.

Os sapatos novos

Uma senhora e a sua filha adolescente, que viviam numa vila do interior, nesse dia foram à cidade.

Na viagem de regresso a casa, sentadas lado a lado no banco do autocarro, dividiam a sua atenção entre conversas soltas e olhares curiosos para os outros passageiros.

A dada altura diz a mãe para a filha:

“Que chatice, queria calçar os sapatos novos e com a pressa acabei por trazer os velhos.”

A filha, olha para o pé da mãe, e diz:

“Não mãe, esses são os sapatos novos.”

Depois de várias espreitadelas aos pés da senhora, perceberam tudo, e enquanto a rapariga ria descontroladamente a expressão do rosto da mãe oscilava entre o riso e a vergonha de se ter passeado pela cidade com um sapato diferente em cada pé.

A angústia do branco

Quando a minha amiga me propôs criar um blog, imediatamente disse não.

Não porque não tenho paciência…

Não porque não tenho tempo….

Mas o meu verdadeiro motivo é a angústia do branco

“ Não sei o que vou escrever,
Estou cheia, mas também vazia.
Quero dizer tudo, não digo nada.
Os pensamentos fluem como uma cascata de ideias,
São muitos,
Trazem amor
E natureza também.
Estão cheios de música,
De paz e de liberdade.
Quero dizer tudo, não digo nada.
O branco é uma cor que inibe,
Tudo desaparece perante ele.
Talvez o verde-esperança…
Sim, vou escrever no verde.

terça-feira, 9 de março de 2010

O V Império



Depois da grandeza veio o desaire, depois do luxo a pobreza, depois da sorte só o milagre, depois da fé só a moral….

Que será de nós?

O destino só pode ser lido por poetas ou profetas .

Depois de Daniel, Bandarra, Vieira ou Pessoa, vimos nós, que sonhamos com a Profecia do glorioso papel de Portugal no mundo.

A partir de D. Sebastião passámos a encontrar-nos na saudade. O nosso regresso só pode ser espiritual.

Os Sebastianistas procuram uma nova identidade, que reanimará a alma da nossa Pátria. O sangue que nos corre nas veias é o da saudade.

Encontrar forma do V Império ser português. O Império da humanidade da universalidade, que só a inteligência pode encontrar.

Nós Portugueses (ainda) sohamos fazer a história do Futuro.

A carruagem do silêncio


Em visita a Arhus fui comprar um bilhete de comboio para Copenhaga, numa viagem que duraria 4 horas.

Depois de uma semana de férias, 4 horas é uma viagem que três mulheres sabem aproveitar para reviver histórias que escaparam nos briefings anteriores.

Na hora de comprar o bilhete, deparamo-nos com a primeira surpresa, se queríamos bilhete reservado teríamos que pagar um extra do valor do bilhete ou teríamos de ceder o lugar a quem o reservasse posteriormente, restando-nos lugares em pé. Depois tivemos a segunda surpresa, esses lugares eram na carruagem “do silêncio” pelo que teríamos que pagar outro extra.

Pagamos pois para irmos sentadas e caladas.

Pode até parecer interessante e necessário para quem viaja a dormir, a ler ou a escrever, mas para quem quer matar o tempo a falar e a rir, não é.

Foram 4 horas de pura tortura, onde um sussurro era objecto de olhares reprovadores e um riso abafado era recriminado.

É caso para dizer, que na Dinamarca o silêncio é de ouro.

Os treze anos.....


De férias no Algarve.

Em conversa com o filho de uma amiga, sobre a noite anterior.

O Miguel precoce para a idade, á muito que as meninas lhe despertavam interesse e era com expectativa que acompanhava os amigos mais velhos pelas esplanadas e bares da noite Algarvia
.
Perguntava-lhe se tinha conhecido alguma menina nova. Ele respondeu-me entusiasmado que conhecera uma inglesa e que tinham dançado próximos numa pista do bar.
Tentei saber mais.
Ele reviveu a noite, falou da tentativa de conversa em inglês, do sumo que lhe tentou oferecer….
Ainda interessada nos pormenores da noite, adiantei. Porque não a convidaste a dar um passeio junto ao mar

Eu? Nem pensar…. Depois teria de pagar 10 euros para entrar de novo.