Mostrar mensagens com a etiqueta crianças. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta crianças. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O filho do meu colega


Na mesa do almoço as conversas entre os 4 habituais começam, terminam, ou não, pouco interessa, os assuntos também, tanto faz. Todos falamos e todos ouvimos, o interesse é mútuo. Aprendemos a ter respeito e a merecê-lo.

As questões laborais são discutidas com pormenores de cabeleireiro. As questões pessoais são obrigatórias, antes que um regresso a casa traga novos desenvolvimentos. E as novelas caseiras vão sendo desvendadas com a mesma fórmula de sempre, os colegas com filhos pequenos são os mais escutados.

Dizia um dos pais que o seu filho, confrontado com uma asneira que tinha feito e pressionado, no sofá, com a cara de poucos amigos do pai, tinha dito em jeito de assunto arrumado. O boneco encarnado disse para eu fazer derrubar o João e o boneco verde não me impediu. De quem é a culpa pai? Fomos esclarecidos que estes bonecos, criados pela mente do filho, são os responsáveis pelas acções mais ou menos atrevidas da criança. Calculo que a reacção do pai tenha sido igual á nossa. Não se pode castigar alguém pela culpa de três.

Virão estas crianças, estes fedelhos que ainda não pronunciam bem a língua materna, arranjar argumentos dignos de mentes diabólicas, como são a de experientes advogados ou de sagazes políticos. Estarão as suas cabecinhas programadas com chips de 4ª geração? Creio que sim, só os nossos neurónios, esses vão se apagando, á falta de oxigénio, ao excesso de álcool, e feitos de uma massa mais cinzenta que eficaz.

Mas na nossa cabeça esses conflitos também existem, e parece que cada vez mais os bonequinhos verdes ficam a perder, a força dos vermelhos impõe-se.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Sala de espera


Na sala de espera ….do dentista.

Enquanto lia a revista, disponível, sem capa e do mês passado, era incomodada por um rapaz, de 5 anos ainda mais impaciente que eu, que batia os pés como se quisesse abrir buraco no chão e por lá desaparecer.

O ruído incomodava-me a mim e á mãe do pequeno, que fez o que lhe competia, mandou-o parar, um pouco a medo acrescente-se. É que os pais sabem que 90% dos pedidos que fazem aos filhos não são atendidos. Como este não foi. A criança ainda acrescentou para que não ficassem dúvidas. Que queres que faça se não tenho mais nada que fazer. Irrefutável.

Calou-se a mãe mas não me acomodei eu. Olhei-o de soslaio, a medo também, que não me respeitasse mas também me sentia sem autoridade de repreender filho que não me pertence. Mas resultou, o rapaz parou, mas aumentou a sua frustração, não sabendo como me atingir. O meu olhar desarmou-o.

Encostou-se à mãe, que mais aliviada tentava, sem sucesso, que a filha, de meses, não destruísse a capa de outra revista. Calculando o pequeno que a atitude da irmã, deveria merecer a minha, já conhecida reprovação, foi porta-voz da irmã, em direito de resposta. Mãe, a Joana está a dizer que quer comer papel. E só. Olhou-me e sentiu-se novamente dono da situação, ou antes, dono da sala de espera.